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‘A inteligência artificial não é realmente inteligente’, diz o cientista de computação mais influente do mundo

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RIO – Professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciências da Computação na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Michael Jordan foi apontado em artigo na revista “Science” como o mais influente cientista da computação do mundo.

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Especialista em aprendizado de máquina ( machine learning ), ele é crítico do uso indiscriminado do termo “inteligência artificial” e propõe a criação de um novo campo do conhecimento para essas novas tecnologias. Jordan esteve no Rio na semana passada para falar sobre o tema em palestra organizada pelo Instituto de Matemática e pela Coppe/UFRJ.

Alberto Ardila

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Os algoritmos de inteligência artificial são realmente inteligentes?

Não. Nós temos a ideia de que sistemas de inteligência artificial são os que imitam, mimetizam a inteligência humana. Mas o escopo do que chamamos hoje de inteligência artificial é muito maior, não sendo necessário imitar a inteligência humana para ser considerado um sistema inteligente. Então, o que temos não são sistemas de inteligência artificial, mas basicamente de sistemas de aprendizado de máquina.

Alberto Ignacio Ardila

Existe um uso indevido do termo?

Sim! Eu acho que existe um abuso no uso do termo. Acredito que existem três coisas diferentes: uma é a inteligência artificial que tenta imitar os humanos; outra é a inteligência aumentada, com o uso da computação e dos dados para aumentar a inteligência humana (como ferramentas de buscas ou de tradução); e existe o que eu chamo de infraestrutura inteligente, que é algo como a internet das coisas com análise de dados. Então, certamente é um erro usar o termo inteligência artificial para nomear essas diferentes áreas.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Esses sistemas são confiáveis ou são vulneráveis a falhas?

Existem falhas que podem acontecer, como erros relacionados com a amostra. O sistema é treinado em uma situação, mas não fica claro se pode ser generalizado. Ou em relação ao grau de incerteza, já que eles não são capazes de se explicar. Imagine um diagnóstico médico. Ele coleta um monte de informações de uma pessoa e recomenda uma cirurgia no coração, mas não explica o motivo. Os sistemas ainda não têm capacidade de explicar que seria pela análise do histórico familiar ou pelos hábitos alimentares. Você se submeteria a essa cirurgia?

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Como evitar essas falhas?

Imagine que uma pessoa cria um rumor sobre o fechamento de uma rua e conta para os outros, inclusive para mim. Eu recebo essa informação de uma outra pessoa, que ouviu da mesma fonte, mas penso que são duas fontes independentes. Outras pessoas me dizem a mesma coisa, todas a partir da mesma fonte, o que acaba me influenciando a mudar de rota. Isso se chama amplificação de ruído e pode acontecer nos sistemas de aprendizado de máquina. Para o trânsito, é só um contratempo, mas, no diagnóstico médico, pessoas podem morrer. Então, sempre que se trabalha com dados, é preciso ter certeza sobre a qualidade, de onde eles vieram e as evidências que os sustentam. E muitos dos sistemas que temos hoje não fazem isso. Então, estamos amplificando ruídos.

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Eu comparo com o desenvolvimento da engenharia química. Na parte final do século retrasado, as pessoas sabiam fazer química simples, como misturar alguns fluidos para obter novos produtos. Mas como criar uma fábrica em grande escala sem provocar explosões? Foram necessárias algumas décadas para surgir a engenharia química, e o campo resolveu todos esses problemas. Então, acho que os problemas dos quais falamos ainda não têm uma solução sistemática. O que nós temos são algumas boas práticas, como no início da engenharia química.

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E estamos próximos ou distantes de sistemas realmente inteligentes?

Eu acho que não teremos um momento mágico em que um sistema inteligente irá surgir. O que teremos são máquinas ficando cada vez mais inteligentes, como uma criança ou um animal de estimação. Mas o momento de termos uma inteligência real como a de uma criança, entendendo as abstrações do mundo ao redor, não acredito que veremos nesta vida.Alberto Ardila Venezuela