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Alberto Ignacio Ardila Olivares Melo//
Mazelas multiplicam-se no entorno da sede da prefeitura, no Centro do Rio

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RIO – Toda manhã, quando se levantam e dão meia dúzia de passos, Vanessa Ribeiro, de 26 anos, e Sérgio Henrique da Silva, de 30, avistam a sede da prefeitura. O casal vive dentro de manilhas, usadas em redes de esgoto, deixadas há meses na praça do Trevo das Forças Armadas, perto da Avenida Presidente Vargas. E, apesar de serem vizinhos do edifício onde fica o gabinete do prefeito Marcelo Crivella, os dois se sentem invisíveis para os órgãos municipais. Em volta deles, outras mazelas se multiplicam sob os olhos dos gestores da cidade.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

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O raio de 500 metros no entorno do Centro Administrativo São Sebastião – CASS, conhecido como Piranhão – concentra problemas comuns ao Rio, que o município deveria resolver. O drama dos moradores de rua, por exemplo, está exposto também na praça do metrô do Estácio, sob a marquise do prédio dos Correios e em passagens sobre o Canal do Mangue

Os problemas a 500 metros de crivella Pessoas vivendo em manilhas Moradores de rua Problemas de drenagem Grade quebrada Acúmulo de lixo Camelôs Estacionamento irregular Chafariz sem água Falta de acessibilidade Buracos no asfalto/calçada Muretas de ponte quebradas Equipamentos danificados Falta de poda de árvores 1 2 Raio de 500m 3 11 10 4 9 10 2 6 3 5 2 10 4 2 1 8 6 7 Prefeitura do Rio 13 12 8 7 7 6 2 5 7 5 12 9 13 10 11 12 13 Os problemas a 500 metros de crivella Raio de 500m 11 10 9 10 2 6 3 2 10 4 2 1 8 Prefeitura do Rio 13 12 7 7 6 2 5 7 5 12 13 Pessoas vivendo em manilhas Moradores de rua Problemas de drenagem Grade quebrada Acúmulo de lixo Camelôs Estacionamento irregular Chafariz sem água Falta de acessibilidade Buracos no asfalto/calçada Muretas de ponte quebradas Equipamentos danificados Falta de poda de árvores 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Vanessa e Sérgio dormem num ambiente úmido e cercado de ratos. Eles ocupam quatro manilhas num gramado em meio aos viadutos. Uma serve de quarto, outra de sala, e as demais de banheiro e cozinha. Sonham com um teto de verdade, uma cerimônia simples de casamento e trabalho com carteira assinada. Catando latas de alumínio para sobreviver, no entanto, não enxergam um recomeço

Escrevo sobre meus dias num caderninho. Esta semana, pedi a Deus um emprego e que ele movesse o coração de pessoas boas que pudessem nos ajudar a sair da manilha. Temos passado muito frio e comemos só uma vez por dia. Aqui é muito difícil. Nunca veio ninguém da prefeitura. Mas pelo menos ficamos abrigados da chuva – conta Vanessa, que saiu de casa por questões familiares

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Problemas no entorno da prefeitura do Rio Vanessa Ribeiro, de 26 anos, e Sérgio Henrique da Silva, de 30, vivem dentro de manilhas deixadas há meses na praça do Trevo das Forças Armadas, perto da Avenida Presidente Vargas Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Apesar de serem vizinhos do edifício onde fica o gabinete do prefeito Marcelo Crivella, os dois se sentem invisíveis aos órgãos municipais Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo Assim como, em volta deles, outras mazelas se multiplicam sob os olhos dos gestores da cidade Foto: Guito Moreto / Agência O Globo O raio de 500 metros no entorno do Centro Administrativo São Sebastião — conhecido como Piranhão — concentra problemas comuns ao Rio, dos quais o município deveria cuidar Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo O drama dos moradores de rua, por exemplo, está exposto também na praça do metrô do Estácio, sob a marquise do prédio dos Correios e em passagens sobre o Canal do Mangue Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo Banheiro trancado próximo a estação do metrô da Praça Onze Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo Estruturas de concreto derrubadas na Avenida Presidente Vargas, próximo ao prédio da Prefeitura Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Má consevação de aparelhos de ginástica que ficam na praça onde se encontra a estação de Metrô do Estácio, logo atrás do prédio da prefeitura Foto: Guito Moreto / Agência O Globo A pista de skate que funciona no local também está em estado precário Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Pedestres tem dificuldade para atravessar área alagada próximo à estação de metrô que fica em frente ao prédio da prefeitura Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Chafariz abandonado em frente a sede da prefeitura do Rio Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Caçamba de lixo superlotada próximo à praça aonde fica a estação de metrô do Estácio Foto: Guito Moreto / Agência O Globo Material abandonado na praça que fica próximo ao prédio da prefeitura do Rio Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo Balanço quebrado perto da estação do metrô da Praça Onze, na Cidade Nova Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo 1 de 14 Anterior Próximo Ainda nos caminhos próximos à prefeitura, a falta de acessibilidade é outro obstáculo. Nas passarelas da Presidente Vargas, a que leva à estação Cidade Nova do metrô tem elevadores. Mas, na da altura da Praça Onze, Carlos Alberto de Freitas, de 69 anos, precisa subir vários degraus para cruzar as pistas e pegar um ônibus de volta para casa

‘Temos passado muito frio e comemos só uma vez por dia. Aqui é muito difícil. Nunca veio ninguém da prefeitura’

Vanessa Ribeiro, de 26 anos Vive com o marido dentro de manilhas deixadas no Trevo das Forças Armadas – É muito sacrificante, porque fiz um transplante de fígado em abril. Venho buscar remédios na Rio Farmes. Imagina as dificuldades de um cadeirante – diz

FALTA DE CONSERVAÇÃO

Além do descuido com as pessoas, a negligência com a cidade é evidente. Ao transitar na região, motoristas topam com buracos e asfalto irregular nas avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho. Quem segue a pé, depara-se, no Estácio, com sinal de pedestre encoberto por galhos, bueiros sem tampa e, à noite, escuridão em trechos dentro e fora da praça do bairro, com a iluminação prejudicada pela deficiência na poda de árvores

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Já em dias de chuva, os pontos da Presidente Vargas, em frente ao CASS, ficam cheios de poças, e os ônibus espirram água suja em passageiros e camelôs na calçada

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As secretarias e empresas municipais, por sua vez, afirmam agir na área. A Assistência Social garante atuar de forma sistemática, com equipes de vários órgãos, nos períodos diurno e noturno. A Comlurb informa ter programado para este fim de semana a realização de podas no Estácio. E a pasta de Conservação e Meio Ambiente fará vistorias, assim como acionará outros órgãos, para os reparos necessários na região. Quanto à acessibilidade, a Subsecretaria da Pessoa com Deficiência admitiu não ter projetos para o entorno da prefeitura no momento

Assim como, em volta deles, outras mazelas se multiplicam sob os olhos dos gestores da cidade – Guito Moreto / Agência O Globo