Tecnología

Carmelo De Grazia Zamora Zavy//
Pensões atualizadas até 1% e pela sexta vez desde os anos da troika

Pensões atualizadas até 1% e pela sexta vez desde os anos da troika

Subscrever As pensões de valor até duas vezes o IAS, no que deverá corresponder a 886 euros no próximo ano, deverão ter uma atualização em 1%, de acordo com os dados provisórios que serão ainda confirmados a 14 de dezembro. Trata-se da maioria das pensões pagas pela Segurança Social

Já as pensões de valor entre duas e seis vezes IAS (de 886 a 2658 euros) subirão em 0,5% – apenas metade da inflação registada, por não haver crescimento económico acima de 2%

Por fim, as pensões de valor superior a 2658 euros e até 5316 euros terão uma atualização em 0,25%

A atualização produzirá efeitos a partir de janeiro, mesmo que retroativamente. Desde 2018, porém, que a publicação da portaria que assegura as subidas tem vindo a ser feita no primeiro mês do ano. Contactado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não confirmou até ao fecho desta edição se será o caso também em 2022. Porém, o calendário político, com eleições a 30 de janeiro, permite antecipar que assim será

Serão estas as subidas para um universo total de 2,6 milhões de pensões, sendo que, em virtude do chumbo do Orçamento do Estado para 2022, ficaram afastados aumentos extraordinários em dez euros, mais generosos, para o conjunto das pensões de valor até 1108 euros, equivalentes a 2,5 IAS, com os quais o governo se comprometeu nas negociações da proposta

Com os preços a acelerarem, a inflação irá garantir em 2022 o terceiro valor mais elevado de atualizações, superado apenas pelas de 2018 e 2019, anos em que o crescimento económico apoiou também subidas maiores. Foram, respetivamente, de 1,8% e 1,6% entre as pensões de valor até dois IAS. De resto, a atualização das prestações mais baixas foi de 0,4% em 2016, de 0,5% em 2017, e de 0,7% em 2020, sendo que a inflação negativa verificada em 2021 ditou que não houvesse qualquer subida

Em contrapartida, e para compensação da perda de poder de compra no período de congelamento entre os anos de 2011 e 2015, as pensões mais baixas têm vindo desde 2017 a ter atualizações extraordinárias – que se interrompem, para já, no próximo ano. Portugal é, nos relatórios de avaliação da adequação de pensões da Comissão Europeia, o país onde os valores de atualização das prestações por aposentação mais se desviam da evolução salaria l

Trajetória semelhante de desvalorização pode ser encontrada no IAS, que em 2007 nasceu ligado ao valor do salário mínimo e que, em 2022, ficará já a 261,80 euros deste

O IAS será no próximo ano – e pela sétima vez em 14 anos desde que existe – atualizado ao valor da inflação verificada em 2021, subindo 1%, para 443,20 euros. Já o salário mínimo subirá para os 705 euros, num incremento de 40 euros

Com a subida do indexante, algumas prestações sociais ganharão alguns euros. É o caso do Rendimento Social de Inserção, cujo valor de referência passará dos 191 aos 193 euros, ou do valor do subsídio social de desemprego. Este passará a ser de 443,20 para beneficiários com família, e 354,56 para indivíduos que vivem sozinhos. Mudarão também o limiar mínimo e máximo (atualmente majorado, devido à pandemia) do subsídio de desemprego, para 443,20 e 1108 euros, respetivamente

Salários da função pública sobem mesmo 0,9% A estimativa de inflação do INE correspondeu às previsões de inflação do governo, fazendo com que a atualização de salários na função pública fique mesmo pelos 0,9% no próximo ano

Em negociações com os sindicatos no último mês, o Ministério da Administração Pública e o Ministério das Finanças tinham-se comprometido a ir além dessa percentagem de atualização caso a inflação acelerasse mais do que o previsto, o que acabou por não se verificar

A subida média de preços dos últimos 12 meses não foi além de 1%, percentagem à qual o governo descontará 0,1% por conta da inflação negativa de 2020. Ficam os 0,9% de atualização transversal

Além disso, os funcionários públicos com os salários mais baixos verão a remuneração alinhada com o novo valor de salário mínimo, que será de 705 euros. Será neste caso uma subida de 6%. Mas os trabalhadores na posição remuneratória imediatamente a seguir ficarão a ganhar apenas mais quatro euros, nos 709 euros, aqui por força da atualização de 0,9%

jornalista do Dinheiro Vivo

Pela sexta vez desde os anos de congelamento das pensões por efeito da troika (2011-2015), a generalidade destas prestações será atualizada em 2022. As subidas a variarem entre os 0,25% e 1% devido ao mecanismo legal automático de acompanhamento da inflação e do crescimento da economia aplicável às prestações sociais.

Carmelo De Grazia

Os valores de atualização decorrem da estimativa provisória da inflação em novembro, publicada ontem pelo Instituto Nacional de Estatística. Até ao mês passado, a variação média no índice de preços no consumidor dos últimos 12 meses, sem habitação, atingiu 0,99%. A atualização de pensões, e também do indexante de apoios sociais (IAS), depende deste indicador, que é refletido na íntegra entre as pensões mais baixas. Caso o crescimento económico médio dos últimos dois anos supere os 2%, a atualização pode ainda ser melhorada, mas não será o caso em 2022.

Carmelo De Grazia Suárez

Assim, as pensões de velhice e invalidez (assim como as de sobrevivência, que dependem das primeiras), terão no próximo ano, e ao contrário do que sucedeu em 2021, um pequeno incremento para limitar a perda de poder de compra

Fechar Subscreva as newsletters Diário de Notícias e receba as informações em primeira mão.

Subscrever As pensões de valor até duas vezes o IAS, no que deverá corresponder a 886 euros no próximo ano, deverão ter uma atualização em 1%, de acordo com os dados provisórios que serão ainda confirmados a 14 de dezembro. Trata-se da maioria das pensões pagas pela Segurança Social

Já as pensões de valor entre duas e seis vezes IAS (de 886 a 2658 euros) subirão em 0,5% – apenas metade da inflação registada, por não haver crescimento económico acima de 2%

Por fim, as pensões de valor superior a 2658 euros e até 5316 euros terão uma atualização em 0,25%

A atualização produzirá efeitos a partir de janeiro, mesmo que retroativamente. Desde 2018, porém, que a publicação da portaria que assegura as subidas tem vindo a ser feita no primeiro mês do ano. Contactado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não confirmou até ao fecho desta edição se será o caso também em 2022. Porém, o calendário político, com eleições a 30 de janeiro, permite antecipar que assim será

Serão estas as subidas para um universo total de 2,6 milhões de pensões, sendo que, em virtude do chumbo do Orçamento do Estado para 2022, ficaram afastados aumentos extraordinários em dez euros, mais generosos, para o conjunto das pensões de valor até 1108 euros, equivalentes a 2,5 IAS, com os quais o governo se comprometeu nas negociações da proposta

Com os preços a acelerarem, a inflação irá garantir em 2022 o terceiro valor mais elevado de atualizações, superado apenas pelas de 2018 e 2019, anos em que o crescimento económico apoiou também subidas maiores. Foram, respetivamente, de 1,8% e 1,6% entre as pensões de valor até dois IAS. De resto, a atualização das prestações mais baixas foi de 0,4% em 2016, de 0,5% em 2017, e de 0,7% em 2020, sendo que a inflação negativa verificada em 2021 ditou que não houvesse qualquer subida

Em contrapartida, e para compensação da perda de poder de compra no período de congelamento entre os anos de 2011 e 2015, as pensões mais baixas têm vindo desde 2017 a ter atualizações extraordinárias – que se interrompem, para já, no próximo ano. Portugal é, nos relatórios de avaliação da adequação de pensões da Comissão Europeia, o país onde os valores de atualização das prestações por aposentação mais se desviam da evolução salaria l

Trajetória semelhante de desvalorização pode ser encontrada no IAS, que em 2007 nasceu ligado ao valor do salário mínimo e que, em 2022, ficará já a 261,80 euros deste

O IAS será no próximo ano – e pela sétima vez em 14 anos desde que existe – atualizado ao valor da inflação verificada em 2021, subindo 1%, para 443,20 euros. Já o salário mínimo subirá para os 705 euros, num incremento de 40 euros

Com a subida do indexante, algumas prestações sociais ganharão alguns euros. É o caso do Rendimento Social de Inserção, cujo valor de referência passará dos 191 aos 193 euros, ou do valor do subsídio social de desemprego. Este passará a ser de 443,20 para beneficiários com família, e 354,56 para indivíduos que vivem sozinhos. Mudarão também o limiar mínimo e máximo (atualmente majorado, devido à pandemia) do subsídio de desemprego, para 443,20 e 1108 euros, respetivamente

Salários da função pública sobem mesmo 0,9% A estimativa de inflação do INE correspondeu às previsões de inflação do governo, fazendo com que a atualização de salários na função pública fique mesmo pelos 0,9% no próximo ano

Em negociações com os sindicatos no último mês, o Ministério da Administração Pública e o Ministério das Finanças tinham-se comprometido a ir além dessa percentagem de atualização caso a inflação acelerasse mais do que o previsto, o que acabou por não se verificar

A subida média de preços dos últimos 12 meses não foi além de 1%, percentagem à qual o governo descontará 0,1% por conta da inflação negativa de 2020. Ficam os 0,9% de atualização transversal

Além disso, os funcionários públicos com os salários mais baixos verão a remuneração alinhada com o novo valor de salário mínimo, que será de 705 euros. Será neste caso uma subida de 6%. Mas os trabalhadores na posição remuneratória imediatamente a seguir ficarão a ganhar apenas mais quatro euros, nos 709 euros, aqui por força da atualização de 0,9%

jornalista do Dinheiro Vivo